segunda-feira

DESMUNDO

A produção "Desmundo" nos conduz ao século XVI, para contar a história de uma órfã portuguesa chamada Oribela (interpretada por Simone Spoladore). Na história, ela chega ao Brasil com mais algumas companheiras, para desposar alguns colonizadores.

Oribela é uma moça religiosa, mas que se torna rebelde por não aceitar muito o novo marido - Francisco de Alburquerque (um homem chucro e grosso interpretado por Osmar Prado, mas que acaba se apaixonando por Oribela). Oribela, portanto, faz de tudo para fugir da "nova vida", mas acaba pagando um preço muito alto por não aceitar seu esposo... Nossa heroína tenta por diversas vezes fugir do marido, mas termina sendo capturada e castigada. Em uma das tentativas, ela se envolve com Ximeno (Caco Ciocler), que a abriga em sua casa e que planeja fugir para a Espanha.

Esse filme mostra claramente o domínio do homem sobre a mulher, as diferenças étnicas entre as personagens: índios, negros, portugueses, espanhóis, além disso, fica clara a mudança ocorrida com a língua portuguesa. É uma linguagem falada por volta do século XVI e que, em muitos momentos do filme ficaríamos sem entender o que estavam falando, não fosse a presença da legenda que nos orientou.

Essa mesma língua falada por eles é a nossa língua portuguesa dos dias de hoje. Mas então, por que temos tanta dificuldade em entendê-la?A língua que eles usavam tinha uma formatação diferente da nossa atualmente. Especificamente as formas verbais foram as que mais mudaram. Através do filme percebemos o uso de algumas palavras como, por exemplo, "suzinho" ao invés de "sozinho", que hoje, se ouvimos alguém falar daquela forma, consideramos como um "erro".
Há um mito no ensino da língua portuguesa. O que muitos consideram como erro é na realidade uma diferente forma de falar e que se formos analisar diacronicamente “a palavra” chegaremos à conclusão de que em algum momento histórico-cultural, a mesma palavra considerada erro foi usada por falantes da língua portuguesa.

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