sexta-feira

Um pouco de Fernando Pessoa

"Toda coisa que vemos, devemos vê-la sempre pela primeira vez,
porque realmente é primeira vez que a vemos. E então cada flor amarela
é uma nova flor amarela, ainda que seja o que se chama a mesma de ontem.
A gente não é já o mesmo nem flor a mesma.
O próprio amarelo não pode ser já o mesmo.
É pena a gente não ter exatamente olhos para saber isso,
porque, então éramos todos felizes".

(Fernando Pessoa)

Análise do Livro Didático


O livro didático adotado para a 6ª série do Ensino Fundamental é Português: Leitura, Produção e Gramática da autora Leila Lauar Sarmento. A coleção de textos apresentados em todo o livro é bastante diversificada e heterogênea, permitindo a leitura de textos de diferentes gêneros e que são abordados com temas diversos, bem apropriados e interessantes para esta faixa etária.

Muito interessante é análise de um texto não – verbal que tem no início de cada unidade que desperta bastante motivação nos alunos e atende muito bem a proposta de diversidade textual.

As atividades de produção textual têm propostas de trabalho que exploram a expressão escrita e oral com objetivos bem definidos. As situações de produção oral propostas costumam animar bastante os alunos que se envolvem em geral com muito empenho.

Os assuntos gramaticais são apresentados de forma criativa, por meio de textos de jornal, tiras, charges e propagandas, bem de acordo com as provas institucionais que temos tido acesso nos últimos tempos.

A apresentação física do livro é excelente, com página de papel de boa qualidade, boas ilustrações, tornando prazeroso o seu manuseio e ao final de cada unidade encontramos sugestões de filmes, livros e sites relacionados com o tema abordado.




segunda-feira

Plano de Aula - Narradores de Javé

"HISTÓRIA DOS OUTROS EM BOCA DE GENTE CORRE MAIS RÁPIDO QUE O VENTO."
Antônio Biá


PLANO DE AULA


Identificação
Disciplina: Língua Portuguesa
Professor: Jubiléia Miranda

1. Tema da aula: Narrativas populares, conhecimento histórico, memória e mito.

2. Objetivo: Ressaltar a importância das intervenções populares nas narrativas. Analisar a memória como fonte histórica. Destacar o surgimento do mito nas narrativas populares.

3. Série: 6ª – Ensino Fundamental

4. Carga horária

5. Metodologia

A metodologia será desenvolvida mediante apresentação do filme “Narradores de Javé”. Após a projeção do filme, o professor fará as devidas reflexões a respeito da importância das narrativas populares, da construção do conhecimento histórico, da memória e do surgimento do mito. A classe será dividida em grupos, cada grupo terá quatro componentes. A atividade para os grupos será a mesma, escolher um representante para desenvolver o papel de Antônio Biá. O professor decidirá a cena do filme que será trabalhada pelos grupos, ressaltando os pontos enfatizados pelo professor. A versão de cada grupo será apresentada para toda classe.

6. Recursos de Ensino

Utilização de aparelhos de TV e DVD, quadro, giz e textos de apoio.

7. Produção textual

Criação de contos, leitura e análise de narrativas.

8. Bibliografia

Básica: CAFFÉ, Eliane. Narradores de Javé. Rio de Janeiro, 2004.

DESMUNDO

A produção "Desmundo" nos conduz ao século XVI, para contar a história de uma órfã portuguesa chamada Oribela (interpretada por Simone Spoladore). Na história, ela chega ao Brasil com mais algumas companheiras, para desposar alguns colonizadores.

Oribela é uma moça religiosa, mas que se torna rebelde por não aceitar muito o novo marido - Francisco de Alburquerque (um homem chucro e grosso interpretado por Osmar Prado, mas que acaba se apaixonando por Oribela). Oribela, portanto, faz de tudo para fugir da "nova vida", mas acaba pagando um preço muito alto por não aceitar seu esposo... Nossa heroína tenta por diversas vezes fugir do marido, mas termina sendo capturada e castigada. Em uma das tentativas, ela se envolve com Ximeno (Caco Ciocler), que a abriga em sua casa e que planeja fugir para a Espanha.

Esse filme mostra claramente o domínio do homem sobre a mulher, as diferenças étnicas entre as personagens: índios, negros, portugueses, espanhóis, além disso, fica clara a mudança ocorrida com a língua portuguesa. É uma linguagem falada por volta do século XVI e que, em muitos momentos do filme ficaríamos sem entender o que estavam falando, não fosse a presença da legenda que nos orientou.

Essa mesma língua falada por eles é a nossa língua portuguesa dos dias de hoje. Mas então, por que temos tanta dificuldade em entendê-la?A língua que eles usavam tinha uma formatação diferente da nossa atualmente. Especificamente as formas verbais foram as que mais mudaram. Através do filme percebemos o uso de algumas palavras como, por exemplo, "suzinho" ao invés de "sozinho", que hoje, se ouvimos alguém falar daquela forma, consideramos como um "erro".
Há um mito no ensino da língua portuguesa. O que muitos consideram como erro é na realidade uma diferente forma de falar e que se formos analisar diacronicamente “a palavra” chegaremos à conclusão de que em algum momento histórico-cultural, a mesma palavra considerada erro foi usada por falantes da língua portuguesa.
Então passamos a refletir sobre a questão: será que falamos a mesma língua? Então os lingüistas responderiam que a língua é a mesma e que nós poderíamos nos considerar bilíngües, pois temos dentro de uma mesma língua várias formas de nos comunicar, basta escolher entre a forma padrão e a coloquial. E sabemos que por vários motivos (social, econômico, nível de formalidade, nível escolar...) grande parte das pessoas fazem uso da forma coloquial da língua, até mesmo as pessoas consideradas "estudadas".

FASCÍCULO 3 - FATORES DE TEXTUALIDADE

FATORES DE TEXTUALIDADE

Vilma Reche Corrêa ressalta a importância da utilização dos textos na formação crítica dos alunos. Segundo ela, o professor deve priorizar os textos onde seja possível identificar os elementos que estruturam a língua e enfatizam a prática da leitura, interpretação e produção de textos. A linguagem da propaganda, do cotidiano e das mídias em geral são formas alternativas e eficazes de trabalhar a linguagem.

O ensino tradicional da gramática tem sido alvo de discussões, muitas vezes o professor se baseia apenas nos livros clássicos, deixando de reforçar a aprendizagem a partir dos vários recursos intertextuais. A literatura deve ser abordada de maneira significativa, sempre em comunicação com o cotidiano do aluno. Não deve ser uma mera reprodução de conteúdos ou memorização de fatos. Ensinar a língua culta não é tarefa fácil, portanto, o professor deve se valer de artifícios variados para o bom cumprimento dessa missão. Ao proporcionar o contato com diversos tipos de textos, o professor desperta no aluno o interesse por outros gêneros textuais. Realizar atividades a partir dos textos produzidos pelos próprios alunos pode ser uma opção para o professor começar a perceber caminhos novos dentro de sua metodologia de ensino.

Atualmente, não se estuda somente a oração e o período. Os exercícios e todos os assuntos concernentes à língua são analisados a partir de textos. Com isso, cabe ao professor atualizar e desenvolver o seu perfil de estudioso e pesquisador, se valendo de conhecimentos que viabilizem o emprego dos recursos que criam a textualidade. O conhecimento de mundo é que nos guia pela vida. Reconhecer e interpretar o que nos cerca depende dessa visão prévia que temos. Para identificar as idéias de um texto, o aluno precisa utilizar todo o repertório lingüístico que possui, a construção de sentido depende muito das experiências dele enquanto leitor.
A autora defende que os trabalhos realizados em sala de aula devem ser desenvolvidos a partir dos textos, o aluno precisa fazer as devidas transposições da teoria para a prática, o simples conhecimento sem aplicabilidade não serve para nada. Aprender os recursos da língua e saber utilizá-los com coerência e expressividade fazendo correlações diretas com o cotidiano é o primeiro passo para que o aluno se torne um usuário competente e versátil de sua língua.

Plano de Aula de Língua Portuguesa / 7ªsérie


Planejamento

Você é convidado (a) para lecionar Língua Portuguesa para 7ª série em uma escola particular conceituada no Plano Piloto. Para a entrevista, a coordenação pedagógica da escola solicitou-lhe um planejamento para uma aula sobre o papel da Língua Portuguesa naquela escola.

1. Como você organizará este planejamento ?

· Primeiramente é necessário pesquisar sobre a metodologia de ensino adotada pela escola e de que forma a Língua Portuguesa é inserida no cotidiano escolar dos alunos, para assim organizar uma aula não totalmente fora do padrão a que os alunos estão acostumados, não deixando de ser por isso inovadora em seus aspectos práticos e pedagógicos.

· Depois de realizada a pesquisa referente à metodologia de ensino da escola em questão, o foco precisa ser no processo de ensino aprendizagem, e não apenas no produto final, ou seja, os alunos devem ter uma participação efetiva no andamento da aula, uma aula expositiva apesar de ser útil não se faz completamente proveitosa já que os alunos, atualmente, são extremamente ativos e não tem paciência para aulas longas em que apenas o professor fala.

· O planejamento da aula também deve levar em consideração os aspectos contextuais presente na situação escolar, se trata de uma escola particular, conceituada, localizada no Plano Piloto, os alunos no geral pertencem a uma classe social abastada. Provavelmente o professor não precisará se preocupar com questões estruturais, e também poderá contar com um aparato tecnológico necessário para elaborar uma aula com possíveis recursos tecnológicos, se for o caso.

2. Quais estratégias pedagógicas serão contempladas?


· A aula está embasada em algumas das competências e habilidades presentes no currículo da Educação Básica do DF para a 7ª série.

· Para saber qual o papel da língua portuguesa na escola, é necessário primeiro ter consciência do lugar que ocupa a língua portuguesa na vida dos alunos desta escola, ou seja, antes de trabalhar a língua portuguesa na escola se faz necessário considerar a língua portuguesa na vida de cada aluno.

· Os alunos precisam participar efetivamente das aulas. Não existe uma maneira mais eficaz de saber qual a importância da língua portuguesa para eles, se não forem ouvidas e consideradas, as opiniões deles sobre a importância do estudo da língua portuguesa na escola.


· Para iniciar a aula será aplicado um pequeno questionário (anexo) que tem como objetivo principal conhecer a opinião dos alunos em relação à língua portuguesa e a importância dela para a formação moral e acadêmica deles.

3. Quais os recursos materiais utilizados?

· Questionário entregue em folha A4.
· Se possível escolher algum texto do livro didático utilizado pelos alunos na escola, que tenha ligação com o tema
· Trechos selecionados do livro da Ruth Rocha “As coisas que a gente fala”
· Atividade a ser avaliada: uma proposta feita pelos alunos de forma individual ou em grupo sobre de que forma a língua portuguesa poderia ser trabalhada na escola.

4. Bibliografia

BRASIL. Parâmetros Curriculares Nacionais. Terceiro e quarto ciclos: apresentação dos temas transversais. Brasília: MEC/SEF, 1998.

DISTRITO FEDERAL (Brasil). Secretária de Estado de Educação. Currículo da Educação Básica do Distrito Federal: ensino fundamental 5º a 8° série. 2°edição. Brasília: Subsecretária de Educação Pública, 2002.

POSSENTI, Sírio. Por que (não) ensinar gramática na escola. Mercado de Letras: Associação de Leitura do Brasil, 1996.Campinas, São Paulo.

ROCHA,Ruth. As coisas que a gente fala. 2ª edição. Editora: Salamandra. São Paulo,2005.

QUESTIONÁRIO

1. O que é Língua Portuguesa para você?
2. Qual a importância da Língua Portuguesa na sua vida?
3. Na sua opinião, o estudo da Língua Portuguesa na escola é importante?